Gravação que envolve o líder nas pesquisas, Eduardo Fontes, gera acusações de loteamento de cargos, enquanto defesa alega clonagem de voz por inteligência artificial e exige suspensão da divulgação.
A poucas horas da abertura das urnas no município de Serra Alvorada, o cenário eleitoral da cidade foi sacudido por uma grave controvérsia que mobilizou a Justiça Eleitoral e inflamou as redes sociais. A divulgação de uma gravação de áudio atribuída ao candidato líder nas pesquisas de intenção de voto, Eduardo Fontes (Partido Renovação), gerou uma onda de acusações de corrupção e pedidos de impugnação de candidatura na reta final da disputa.
No arquivo de pouco mais de dois minutos, que começou a circular anonimamente em grupos de aplicativos de mensagem no final da noite de sábado, uma voz atribuída a Fontes negocia o suposto repasse futuro de secretarias municipais e contratos de obras públicas com um empresário local, em troca de suporte financeiro não declarado para a reta final da campanha.
A reação dos adversários foi imediata. A candidata Mariana Siqueira (Partido Ação), segunda colocada na disputa, convocou uma transmissão ao vivo de emergência para classificar o episódio como “um golpe contra a transparência pública” e protocolou uma representação no Tribunal Regional Eleitoral pedindo a interrupção da divulgação e a investigação urgente dos envolvidos.
Em contrapartida, a equipe de Eduardo Fontes negou veementemente a veracidade da gravação. Em nota oficial emitida na madrugada, a assessoria jurídica do candidato classificou o áudio como um deepfake — uma falsificação criada por ferramentas de inteligência artificial para clonar a voz do político e desestabilizar o pleito a poucas horas da votação. A defesa acionou a Polícia Federal para identificar a origem do disparo em massa do arquivo e pediu a remoção imediata do conteúdo das plataformas digitais.
A Justiça Eleitoral informou que acompanha o caso com prioridade, mas ressaltou que laudos periciais definitivos para comprovar ou descartar a autenticidade de arquivos de áudio exigem análise técnica aprofundada, tornando improvável um parecer conclusivo antes do encerramento da votação.
Especialistas em direito eleitoral apontam que o caso cria um impasse sem precedentes na cidade: caso a apuração posterior comprove que o áudio é falso, a ação pode ser enquadrada como crime eleitoral de desinformação com potencial de ter alterado o resultado das urnas; por outro lado, se a gravação for confirmada como autêntica, o candidato poderá enfrentar processos de cassação de mandato mesmo após uma eventual posse.
Com a decisão ainda pendente nos tribunais, os eleitores de Serra Alvorada chegarão às urnas sob um clima de intensa polarização e incerteza sobre o impacto do vazamento no resultado final da eleição.
